HISTÓRIA DA IMIGRAÇÃO.


A HISTÓRIA DA IMIGRAÇÃO 

PANFLETO DE PROPAGANDA DISTRIBUÍDO NA ITÁLIA PARA ATRAIR IMIGRANTES PARA O BRASIL

NAVIO LOTADO DE IMIGRANTES, SAINDO DA ITÁLIA RUMO AO BRASIL
Foto autor ignorado, fonte Wikpédia- acervo livre.




A imigração no Brasil iniciou 30 anos após o descobrimento quando foi estabelecido um sistema mais ou menos organizado, de ocupação. Em 1534 foram criadas as capitanias hereditárias e se formaram os núcleos de em São Vicente e Pernambuco que tinham como objetivo a colonização e povoamento. Nos primeiros cem anos muitos portugueses se mudaram para o Brasil, mas foi a partir do século XVIII que realmente pode se considerar como um número expressivo e mesmo sendo uma colônia de Portugal já poderia ser considerado como imigração. Somente em Minas Gerais, entraram 900.000 pessoas e nessa mesma época os açorianos entravam como imigrantes em Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Amazonas. No Rio Grande do Sul formaram o núcleo do Porto dos Casais, hoje Porto Alegre. Mas nesses primeiros séculos de nossa história, da América do Norte e América do Sul, o maior número de imigrantes foi o de escravos africanos, mesmo que de forma forçada, atingindo um total de mais de 10 milhões de pessoas. Na primeira metade do século 19 o fim da escravidão já era previsto e já havia projetos para a transição do trabalho escravo ao assalariado. A partir da segunda metade do século 19, iniciou o maior processo imigratório de toda a história.  Mais de nove milhões de pessoas emigraram da Europa para a América e desses, a maioria era de italianos e a maior parte, para os Estados Unidos. A maioria dos historiadores considera que a vinda de portugueses, espanhóis e holandeses, para o Brasil, como colonização e não, propriamente imigração, pois estavam a serviço de seus países e os negros foram trazidos como escravos. A imigração, historicamente reconhecida, começou a partir de 1808 acentuando-se com a fundação, em 1818, do núcleo de Nova Friburgo, na província do Rio de Janeiro e a de São Leopoldo, na província de São Pedro do Rio Grande do Sul, em 1824. Dois mil suíços e mil alemães se fixaram nesses núcleos. Algumas outras tentativas se realizaram, mas fracassaram diante da resistência dos latifundiários com relação à concessão de terras a estrangeiros, criando a pequena propriedade rural, assim como o trabalho assalariado que ameaçava a exploração do trabalho escravo. Em 1850 foi decretada  a proibição do tráfico de escravos e depois foram decretadas outras leis  para a extinção do trabalho escravo.  Lei do Ventre Livre, Lei dos sexagenários, alforrias e por fim a lei áurea. Em 1888 quando foi decretado o fim da escravidão a imigração cresceu acentuadamente, principalmente para o sul e também para São Paulo. Entre 1890 e 1900 entraram no país mais de um milhão e quatrocentos mil imigrantes Por números, mesmo não se considerando o fato de os portugueses por terem sido ocupadores e colonizadores, formam o maior número de imigrantes, seguidos pelos italianos, espanhóis, alemães e japoneses.

Filhos de imigrantes alemães
mães.fotógrafo ignorado- fonte wikpédia livre

A IMIGRAÇÃO ALEMÃ

Em 1822 o governo Brasileiro enviou para a Europa  o major  Geog Anton Von Schäfferr  para recrutar
 interessados em emigrarem para o Brasil, seu primeiro contato foi em Hamburgo. O governo brasileiro 
oferecia: passagem, concessão de terras com 78 hectares, Subsidio diário de um franco ou 160 réis a cada colono 
no primeiro ano e metade no segundo e Certa quantidade de bois, vacas, cavalos, porcos e galinhas, na porção 
do número de pessoas de cada família.
A primeira leva de 39 imigrantes alemães chegou em 18 de Julho de 1824, em  Porto Alegre no
 Rio Grande do Sul oriundos de Hunsrück, Saxônia, Württemberg e Coburgo (Baviera). No dia 
25 de Julho, se instalaram na desativada Real Feitoria do Linho Cânhamo, as margens do Rio dos Sinos.
Entre 1824 e 1830 entraram no Rio Grande do Sul 5350 alemães. Por problemas políticos e depois por causa da 
Revolução Farroupilha a imigração ficou interrompida entre 1830 e 1844. Reiniciada a imigração, entre 
1844 e 1850 chegaram mais dez mil imigrantes, e entre 1860 e 1889 outros dez mil. Entre 1890 e 1914 chegaram 
mais 17 mil alemães.


































Em 1870 foram criadas novas 
colônias nas regiões da Serra do Rio Grande do Sul, o governo esperava 
instalar mais de 40 mil imigrantes alemães. Mas o número de imigrantes 
alemães que chegavam ao Brasil, estavam se tornando menores, não se sentiam atraídos. O governo 
resolveu procurar novas fontes de imigrantes e foram escolhidos os italianos. 
Na Itália havia descontentamento em função das guerras de unificação, instabilidade econômica e falta 
de terras ( 30 milhões de habitantes) e então o governo contratou 
intermediários para atraírem interessados em emigrarem para o Brasil. Em 1870 foram criadas na província 
do Rio Grande do Sul, na região da serra, as colônias 
Conde DÈu, (Garibaldi) D. Isabel (Bento Gonçalves) e os lotes foram demarcados. 

Os imigrantes receberiam 60 mil réis por adulto e 25 mil réis por criança.  Compravam 
seus lotes por preço que variava entre um e cinco réis o metro quadrado. 
Ou seja, com o que recebiam por adulto, dava para comprar um hectare da melhor gleba da colônia. 
A incumbência, com relação a colonização, cabia ao presidente 
da província que era Francisco Xavier Pinto Lima. O presidente contratou empresas privadas e pretendia
trazer 40 mil  imigrantes em um ano. Com a contratação de empresas privadas formou-se 
uma rede de intermediários e o projeto fracassou. Um ano depois haviam 
chegado as colônias apenas 37 famílias na colônia Conde DÉu 
e nenhuma a D. Isabel. Em cinco anos chegaram apenas 4 mil imigrantes. O governo 
imperial retomou o projeto, 
foi criada a colônia Campo dos Bugres, posteriormente, 
de Caxias e os embarques na Itália, recomeçaram.  Os primeiros imigrantes chegaram ao
 Campo dos Bugres em 20 de Maio de 1875, oriundos de Belluno, Treviso, 
Pádova, Mântova e Tirol. Para chegarem ao Campo dos Bugres, a partir de Porto Alegre os colonos 
pegavam um pequeno barco até a cidade de São Sebastião do Cai, 
de la subiam a serra em carroças, lombo de burros ou mesmo, a pé, pela Picada dos Boêmios, até a 
localidade de Barracão (Nova Milano). Fiicavam instalados por 
alguns dias até ser determinado, pela  Comissão de Terras, os lotes que lhes eram destinados. Os primeiros 
a chegarem na Sétima Légua (Caxias), foram: 
Amalia Zoletti, Gottardo Rech, viúva Maria Velanzin, Andréa Salvatori, João e Antonio Viecelli.

Calcula-se que, entre 1875 e 1914, entraram no estado do Rio Grande do Sul, entre 80 e 100 mil italianos.


Hoje, o Brasil tem mais de 25 milhões de descendentes de italianos.

Caxias do Sul em 1880- Foto reprodução de Domingos Mancuso
Típica colônia italiana- ano 1904- autoria de Domingos Mancuso
Reunião para uma festa de batizado entre imigrantes e filhos de imigrantes italianos- ano 1908 autoria de Domingos Mancuso
Casa onde eram recebidos os imigrantes que chegavam em Caxias. 1915 foto com autoria de Domingos Mancuso

Descarregamento da uva em uma vinícola da Caxias- ano 1915 autoria de Domingos Mancuso