RENO MANCUSO (FILHO)



Reno Mancuso (filho) nasceu em 22 de Julho de 1946 em Caxias do Sul. É neto do fotógrafo Domingos Mancuso. Filho do fotógrafo Reno Mancuso, do qual herdou o mesmo nome, e de Talitha Prates Mancuso. Reno desde criança já se viu cercado do mundo da fotografia.  Junto com seus dois irmãos mais velhos, Domingos( mesmo nome do avô) e Sergio. Reno , então com seus 10 ou 12 anos, já atendia no estúdio de seu pai.  No início da década de 60, Reninho, como era apelidado,  mudou-se para o Rio de Janeiro e lá exerceu várias profissões até reingressar no mundo áudio visual que eram suas origens genéticas. Fez vários cursos de fotografia e se formou em jornalismo na Universidade Gama Filho, do Rio de Janeiro.É fotógrafo profissional e atuou na revista Suiça- Brasileira "Gener", também no jornal paulista "Moto" Em 1974 começou a trabalhar na Rede Globo de Televisão no programa Fantástico como produtor jornalístico, até o ano de 1980. Foi professor de Técnica Áudio Visual, do SENAC R.J. durante os anos de 1994/95/96, e na UFRJ em 1999 onde também atuou como fotógrafo e cinegrafista da Escola de Dança. Em 1989 e 1990 foi correspondente do Jornal Folha de Hoje de Caxias do Sul. Reno tem dois filhos, Roberta Mancuso e Renzo Mancuso. Possui um grande acervo fotográfico de sua autoria, publicados em várias revistas e jornais, com motivos variados, mas infelizmente, em função de não residir em caxias do Sul, em seu acervo, poucas são as fotografias dessa região. Recentemente em visita a Caxias do Sul, Reno produziu algumas fotografias de pontos tradicionais de nossa cidade e da região da Serra Gaúcha.

Todas as fotografias desta página são de autoria de Reno Mancuso (filho) cópias somente serão permitidas com autorização do autor.









Em Setembro de 1989 era lançado em Caxias do Sul, o jornal Folha de Caxias que dava início a uma forma de edição jornalística moderna e atualizada, se igualando aos jornais editados na capital. Folha de Hoje pertencia ao STC ltda, do Grupo Triches, dirigido por Paulo Roberto Lisboa Triches e tinha como editor, Paulo R.M. Canciam.Em Novembro do mesmo ano, Reno Mancuso (filho) voltou a ter contato com suas raízes, tornando-se correspondente do jornal, na cidade do Rio de Janeiro. Em 24 de Novembro foi publicada sua primeira reportagem.
"Os encantos do Rio de Janeiro de Janeiro cedem lugar a miséria e desespero", com fotos e textos de sua autoria.


Texto desta reportagem, no final da página. 



IGREJA DE SÃO PELEGRINO

CAXIAS DO SUL- 2012
FOTOS DE RENO MANCUSO (FILHO)




MONUMENTO NACIONAL AO IMIGRANTE
CAXIAS DO SUL- 2012
FOTOS DE RENO MANCUSO(FILHO)






















OTÁVIO ROCHA
2012
FOTOS DE RENO MANCUSO




MUSEU DE AMBIÊNCIA DE  OTÁVIO ROCHA
2012
FOTOS DE RENO MANCUSO









CÂNION DA FORTALEZA
PARQUE NACIONAL DA SERRA GERAL
RIO GRANDE DO SUL
2012
FOTOS DE RENO MANCUSO














PARQUE NACIONAL DOS APARADOS DA SERRA GAÚCHA
CÂNION DO ITAIBEZINHO
2012
FOTOS DE RENO MANCUSO


















NOVA PETRÓPOLIS R.S.
PARQUE DO IMIGRANTE E ASPECTOS GERAIS DA CIDADE
2012
FOTOS DE RENO MANCUSO( filho)






























Texto da reportagem de Reno Mancuso ( filho) para o jornal Folha de Hoje, edição de 24 de Novembro de 1989


,Sexta-feira. 24 de novembro de 1989 , DE HOJE DE HOJE, página 15


Os encantos do Rio cedem lugar à miséria e desespero Uma legião de pessoas desesperadas, sem nenhuma perspectiva, sobrevive na Cidade Maravilhosa pela caridade de alguns poucos mais afortunados Reno Mancuso 
Está difícil cantar o hino do Rio de Janeiro, composto por André Filho, "Cidade Maravilhosa, cheia de encantos mil...". O carioca enfrenta problemas como assaltos, roubos, sequestros, tiroteios, trânsito caótico e ruas e calçadas esburacadas. A esses junta-se um outro que aflige o povo do Rio de Janeiro: os sem casa e indigentes, moradores itinerantes. Surgem de todos os lugares. São nordestinos que chegam fugindo da fome, outros que chegam de outros Estados do País e também do interior do Estado do Rio, atraídos pela imagem que a televisão passa de que tudo é fácil e maravilhoso. Vendem seu pedaço de terra, vêm para o Rio e, sem ter profissão, com o agravante de ter o Rio uma das mais altas taxas de desemprego do país, ficam vagando e esmolando pelas ruas. São também os favelados que vivem nos morros, mas devido aos altos preços dos aluguéis, (um barra- co de 2 cômodos na Favela da Rocinha, Zona Sul do Rio, não fica por menos de NCz$ 200,00 por mês), descem dos morros para as ruas de classe média alta, mais especificamente na Zona Sul, onde o poder aquisitivo é maior e, conseqüentemente, a caridade também. Os números são alarmantes. Segundo estimativas da Fundação Leão XIII, instituição governamental que cuida desse problema, chega a 18 mil o total de moradores de rua. A cada dia chegam à cidade cerca de 10 nordestinos e de cinco a 10 do interior do Estado e do resto do País. Abrigam-se embaixo de viadutos, montam barracos de plásticos à beira de rochas marítimas, ou embaixo de marquizes. Fica difícil dizer quem são. o que fazem, se são trabalhadores ou indigentes. Os Órgãos competentes de assistência social confundem-se com os dados e já não têm mais albergues para colocá-los. Nem em fazendas agrícolas onde poderiam traba- lhar pelo auto-sustento há lugar. Dos morros desce uma família por dia e fica nas ruas. Muitos são biscateiros e sub-empregados, que moram longe de onde trabalham, vão uma vez por semana em casa, para poupar dinheiro, e dormem nas praias e ruas da cidade: Copacabana, Leblon, Ipanema e Flamengo, onde há pouco mais de 10 anos, da beira dos calçadôes, podia-se sentir o agradável "cheirinho do mar", hoje o que se sente é um forte odor de fezes e urina humana. A Lagoa Rodrigo de Freitas, um dos lugares mais bonitos do Rio, de onde, no começo dos anos 60, o então governador Carlos Lacerda conseguiu tirar uma enorme Favela (Favela do Pinto), passou a ser um dos bairros mais valorizados da Zona Sul da cidade. Porém, os moradores estão preocupados, e com motivo, começam a aparecer alguns barracos nas margens da Lagoa. Reno Mancuso As calcadas são lugar já rotineiro para os que não têm onde ficar As soluções são tratadas a somente de forma política A Fundação Leão XIII já não sabe o que fazer. Não há alimentos e nem remédios, e seus ônibus de recolhimento dos indigentes — os "azulões", como são conhecidos por sua cor, — que saem toda a noite, voltam sempre lotados. O presidente da Fundação, o engenheiro José Colagrossi, ex-secretário do governo Leonel Brizola, afirma que, em um ano e meio, devolveu cinqüenta por cento dessa população de rua aos seus lugares de origem. Os outros são alcoólatras e desequilibrados mentais, e fica muito difícil recupérá-los. As pessoas contestam afirmando que essa população cresce assustadoramente. Fica visível em Colagrossi o seu quase total desconhecimento do problema. Quando informado pela reportagem da Folha de Hoje de que a Legião Brasileira de Assistência (L.B.A) distribuía alimentos e cobertores nas ruas, discordou, mas uma assessora sua confirmou, deixando Colagrossi claramente constrangido. Coloca a culpscordou, mas uma assessora sua confirmou, deixando Colagrossi claramente constrangido. Coloca a culpa no Governo Federal, citando o Ministro da Fazenda, Mailson da Nóbrega, que não libe- ra verbas. Mas o governo de Moreira Franco gasta uma fortuna no metrô da Zona Sul, que todos reconhecem ser desnecessário, pois na Zona Sul não há dificuldade de transporte. Enquanto as discussões em torno desse problema acontecem em suntuosas salas do prédio da Fundação, com ar refrigerado, cafezinho e água gelada, (discussões meramente politiqueiras) o drama dos sem casa e dos moradores dos bairros agrava-se. Até Deus deixou de ser uma esperança para os atingidos Cada um, um drama. São pedreiros, marceneiros, artesãos e alguns até exibem a carteira de trabalho.' 'O Governo disse que iria fazer reforma agrária, cadê? Só se for feita em cima do Pão de Açúcar", ironiza Luiz, que diz possuir uma casa em Ricardo Albuquerque (zona norte da cidade e bairro carente), mas fica num barraco de plástico nos rochedos da praia do Flamengo, afirmando ser marisqueiro (tira mariscos das pedras à beira do mar). Fala em política, mas não tem título de eleitor. Acha necessário aparecer um "homem" que olhe pelo povo, que faça algo por eles, mas não tem esperanças. "São todos iguais, querem tudo para eles e nada para nós, nem um pedaço de chão". "Estamos abandonados, só Deus pode fazer algo por nós, se é que ele também não nos abandonou", coloca Antonio, 28 anos, que afirma ser mecânico desempregado. Não sou mendigo não. Fiz esse barraco na rocha da praia do Flamengo e trouxe a mulher, filho e cachorro para cá, porque gosto da beira do mar."Tenho um apartamento na Glória (Zona Sul do Rio)", conta Severino, 32 anos, envergonhado de sua miséria. "Moço, o que mais tenho medo, é que nem na rua vão me deixar ficar. Vim do Norte procurar vida melhor, sofri um acidente, quebrei a bacia e agora que saí do hospital com defeito físico, ninguém me dá emprego. Só espero a caridade dos outros, que parecem ter pouca. As pessoas estão muito ruins. Não sei o que está acontecendo com o mundo. Será castigo de Deus?" pergunta Luciana chorando. Charles Chaplin teorizava, contestando Freud, da seguinte maneira: "Ao contrário de Freud, não acho que sexo abale tanto nossa personalidade. Frio, fome, penúria, vergonha da miséria, abalam ainda mais nossa personalidade, nosso caráter". Essa teoria de Chaplin se confirma no depoimento de Pedro Ay-mi, pernambucano, viúvo, 26 anos, que vive nas areias e marquizes de Copacabana."Sou artesão. Vim com minha mulher para o Rio, coloquei uma barraca para vender anéis, pulseiras, colares de metais e outras coisas. Morava num barraco do Vidigal (Favela da Zona Sul do Rio), minha mulher estava grávida. Um dia o rapa (fiscal do Comércio Ambulante, da Prefeitura), por eu não estar com a licença em dia, levou tu- do o que era meu. No mesmo dia minha mulher foi dar à luz no Hospital Municipal Miguel Couto, c morreu no parto, me desesperei c fiquei nessa vida. Estou bebendo c fu-mamdo maconha, olha moço, estou fazendo qualquer negócio. Se pintar um ganho (roubo), para fazer, servir de avião (apanhar droga na mão do traficante e vender para consumidor), eu vou. Não tenho nada a perder, aliás já perdi tudo, moral, dignidade, caráter e amor próprio. Não tenho vergonha que sintam pena de mim. Fugi da fome e encontrei a miséria, a desgraça". Assim como Pedro, que dó sonho passou para a tormenta da realidade e revolta, outros estão sofrendo. Muitos, resignados e caídos no chão, com olhar perdido como se esperassem um milagre do céu. Representam um grave problema social, um perigo agravado pelo descaso das autoridades. Esse pavio de pólvora humana pode explodir a qualquer momento. Diante de tantos fatos, entre verdades, ou até mesmo mentiras meio ditas, fica difícil julgar se são inválidos morais ou vítimas das conseqüências dos problemas sociais. Seres humanos, ou fatalidades? (Textos de Reno Mancuso, RJ.) Uma cena que se repete tode iias no Rio de Jumanos, ou fatalidades? (Textos de Reno Mancuso, RJ.) Uma cena que se repete tode iias no Rio de Janeiro: a chegada vislumbra, mas não há onde mc Os privilegiados têm medo e vergonha dos seus vizinhos Todos são um drama, e transformam a vida dos moradores dos bairros. Cada dia fica mais difícil sair com os filhos, dos apartamentos confortáveis, e ter que deixar que presenciem cenas de pessoas caídas, alcoolizadas, sem identidade, humilhadas, descaracterizadas, sem mo- ral, ética e auto estima. "Isso tudo me deprime e dependendo do horário, à noite, dá até medo. Me revolta, pois é inaceitável as instituições do Estado deixarem seres humanos chegar a essa degradação. Como moradora, me incomoda a sujeira que fica nas praias e nos lugares em que eles comem e dormem. Mas, a situação me toca. Tenho um filho de 10 anos e, ao ver as crianças jogadas na rua, sem ensino, sem lar e futuro, com sua infância brutalizada, fico deprimida", diz Maria da Graça Conrado, do alto de sua cobertura em Copacabana. ti onde trab Maria da Graça: medo e revolta.