Memória Pioneiro-Rodrigo Lopes- Salvo conduto em tempos de guerra


Salvo conduto em tempos de guerra

20 de abril de 20150

Em 1943: o salvo conduto de Cecilia Fonini Mancuso. Foto: acervo pessoal de Renan Carlos Mancuso, divulgação
No ano em que se completam exatas sete décadas do fim da Segunda Guerra Mundial, recordamos dos salvo condutos, emitidos em larga escala nos anos 1940 devido à predominância de milhares de imigrantes italianos, alemães e japoneses no país. Sim, naqueles tempos era proibida a livre circulação de estrangeiros em território nacional.
Em 1942, após o Brasil declarar guerra ao Eixo, o documento passou a ser obrigatório, garantindo a seu portador o deslocamento dentro do país – livremente ou sob escolta policial ou militar. Assegurava ainda a integridade de cidadãos que pudessem ser capturados sob qualquer acusação.
Era também bastante comum os certificados serem emitidos aos filhos desses imigrantes já nascidos no Brasil, mas que pouco falavam a língua portuguesa – por viverem nas colônias ou com pouco contato com as grandes cidades.
No caso da Serra, essa prática, assim como o proibido falar italiano, era recorrente. Neto do lendário fotógrafo Domingos Mancuso, o leitor Renan Carlos Mancuso guarda em seu acervo o salvo conduto da avó, Cecília Fonini Mancuso. Datado de 6 de fevereiro de 1943, o documento foi emitido para que ela, então com 57 anos, pudesse sair de Caxias para visitar o filho Caetano em Vacaria.
O texto informava que “nenhum impedimento existe a respeito do portador, pelo que as autoridades que deste tiverem conhecimento não deverão opor-lhe quaisquer embaraços”. Válido por 60 dias, o atestado também deixava explícito: só teria validade caso a foto tivesse o carimbo da Delegacia de Polícia e a rubrica da autoridade responsável.
Cecilia Fonini Mancuso em registro do início do século 20. Foto: acervo de Renan Carlos Mancuso, divulgação
Cecilia Fonini Mancuso em registro do início do século 20. Foto: acervo de Renan Carlos Mancuso, divulgação
A família Mancuso
Nascidos na Itália, Cecília Fonini e o fotógrafo Domingos Mancuso casaram em 3 de julho de 1909, quando o jovem, então morador de Porto Alegre, fixou residência em Caxias do Sul.
Da união nasceram sete filhos: Caetano, Clemente, Ruby, Carmela, Reno, Rômulo e Ciro. De todos, Reno Mancuso foi o que seguiu a mesma profissão do pai por mais tempo, eternizando a Caxias do Sul das décadas de 1930, 1940 e 1950.
Domingos, falecido em 5 de maio de 1942, foi considerado o primeiro fotógrafo repórter de Caxias, captando o desenvolvimento político, econômico e social da cidade a partir da chegada do trem, em 1910.
Leia mais sobre a trajetória de Reno Mancuso clicando AQUI.

Anos 1940: Cecília (ao centro, sentada) com os filhos Carmela e Ciro (sentados) e Caetano, Rômulo, Clemente, Reno e Ruby (em pé). Foto: acervo pessoal de Renan Carlos Mancuso, divulgação

Em família: Domingos Mancuso, a esposa Cecília, o casal Talitha Prates e Reno Mancuso (ao fundo) e amigos no início dos anos 1940. Foto: acervo de Renan Carlos Mancuso, divulgação
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